O príncipe e os inimigos sombrios

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Há muito tempo, em um reino de rios sinuosos e colinas douradas, vivia um jovem príncipe chamado Alaric. Embora fosse herdeiro do trono, Alaric não era conhecido por riquezas ou glória, mas por seu coração curioso e sua bondade inabalável. Ele adorava passear pelo campo, conversar com pastores, rir com crianças e ouvir as canções das mulheres idosas que lembravam tempos de antes das pedras do castelo serem assentadas.

Mas havia um lugar onde nem mesmo Alaric ousava entrar sozinho: a Floresta Sombria. A mata erguia-se espessa e silenciosa na fronteira norte do reino, suas árvores retorcidas como garras. Poucos ousavam entrar ali, pois as sombras se enroscavam e um frio persistia no ar mesmo nos dias mais claros do verão. Sussurros falavam de dois seres terríveis — o troll que vivia sob a ponte de pedra e o fantasma que vagueava pelas ruínas das antigas torres.

O troll, conhecido como Grindlefist, era enorme, com pele como ardósia e olhos brilhando em âmbar. Ele exigia tributo de todos que atravessavam a ponte, e aqueles que recusavam desapareciam nas profundezas do rio. O fantasma, chamado de Senhora dos Sussurros, assombrava os caminhos da floresta. Ela atraía viajantes com vozes suaves até que se perdessem, depois os envolvia em uma névoa tão densa que nunca mais eram vistos.

O rei, pai de Alaric, proibira todos de entrarem na Floresta Sombria. No entanto, certa noite de outono, chegou ao castelo a notícia de que a filha de um pastor havia se aproximado demais da borda da floresta e não retornara. Os aldeões estavam aterrorizados. A mãe da menina suplicou por ajuda, caindo de joelhos diante do trono. O pai de Alaric prometeu enviar soldados ao amanhecer, mas o príncipe não suportava a ideia de a menina passar uma noite nos braços do fantasma. Enquanto a corte discutia, ele escapou do salão e selou seu cavalo.

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— Para a Floresta Sombria — disse Alaric. — A menina não tem tempo a esperar. Se os soldados vierem amanhã, pode ser tarde demais.

Os olhos de Mira se arregalaram, mas ela não tentou detê-lo. Em vez disso, entregou-lhe uma lanterna e sussurrou: — Leve isto, e lembre-se das canções dos aldeões. Elas podem ajudá-lo onde espadas não podem.

Alaric cavalgou rápido até que as árvores se erguessem diante dele como um muro. O ar ficou parado e a chama da lanterna vacilou, embora nenhum vento soprasse. Ele deixou o cavalo na beira da floresta, prometendo voltar, e entrou na mata.

As sombras se aprofundaram quando chegou à velha ponte de pedra. A névoa se enrolava sobre a água, e debaixo dela veio um estrondo como trovão distante. Grindlefist surgiu, imenso, seu hálito cheirando a musgo e algas do rio.

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Alaric manteve-se firme. — Não te pagarei com moeda ou joia. Procuro uma criança levada pelo fantasma. Deixe-me passar, e nenhum mal lhe virá.

O troll soltou uma gargalhada que sacudiu as pedras. — Nenhum mal? Não temo garotos! Sou Grindlefist, quebrador de ossos, devorador de—

Mas Alaric lembrou-se das palavras de Mira e ergueu a voz em um canto de pastores, aquele que os aldeões cantavam para acalmar cordeiros assustados. A canção atravessou a ponte, suave e constante. Para sua surpresa, Grindlefist vacilou. Seus ombros enormes caíram e os olhos de âmbar se apagaram com algo parecido à tristeza.

— Pare — rosnou o troll, agora mais baixo. — Essa canção... minha mãe a cantarolava quando eu era pequeno, antes de eu ser amaldiçoado nesta forma.

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O troll ficou em silêncio por um longo momento, cerrando o maxilar. Depois se afastou, suas mãos gigantescas tremendo. — Vá, príncipe. Mas cuidado com a Senhora dos Sussurros. Ela não se deixará persuadir tão facilmente.

Alaric agradeceu e apressou-se, penetrando mais fundo na floresta. O brilho da lanterna cortava a névoa até que ele alcançou as ruínas de uma torre, suas pedras quebradas e cobertas de hera. De dentro vinha um som — suave, delicado, como uma canção de ninar.

— Criança — sussurrou a voz — chegue mais perto. Agora você está segura.

O coração de Alaric disparou. A filha do pastor devia estar ali. Mas ao se aproximar, viu uma figura pálida flutuando pelos arcos. Ela era bela e terrível, com cabelos como fumaça e olhos vazios como o céu noturno. Nos braços, segurava uma garotinha adormecida, envolta em névoa.

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O fantasma voltou para ele seu olhar vazio. — Família? O que é família senão uma corrente de tristeza? A minha me traiu, deixou-me morrer nesta torre. Agora coleto crianças para me fazer companhia, para que ninguém fique sozinho como eu fiquei.

Alaric engoliu o medo. — Não pode curar sua solidão roubando a alegria dos outros. Liberte a menina, e eu ouvirei sua história. Eu me lembrarei de você, para que não desapareça no nada.

A Senhora dos Sussurros sibilou. — Promessas vazias! Os mortais esquecem. Sempre esquecem. — Sua névoa o envolveu, dedos gelados puxando seus braços, tentando arrancar-lhe a lanterna.

Alaric fechou os olhos e começou a cantar de novo, não a canção dos pastores, mas a canção de ninar que sua ama lhe cantava quando criança. Sua voz tremeu no início, mas ganhou firmeza ao derramar calor nas palavras. A névoa vacilou, e o fantasma congelou. Sua expressão suavizou, quase humana.

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Alaric aproximou-se. — Então deixe esta criança ir, e seja lembrada não como ladra, mas como aquela que escolheu a misericórdia.

O fantasma olhou para a menina, que se agitou e gemeu no sono. Lentamente, com um suspiro como vento passando por galhos secos, colocou a criança nos braços de Alaric. — Leve-a. Talvez você se lembre de mim. Talvez isso seja suficiente.

Sua forma vacilou, tornou-se cada vez mais tênue, até dissolver-se em névoa prateada que subiu às estrelas. As ruínas ficaram silenciosas.

Alaric envolveu a menina em seu manto e apressou-se de volta. Na ponte, Grindlefist o aguardava. — Conseguiu? — perguntou o troll com voz áspera.

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Grindlefist o observou, depois olhou para a criança. Lentamente, baixou sua grande cabeça. — Então não guardarei mais esta ponte. Que seja um caminho de segurança, não de medo. — E desapareceu na floresta.

Quando Alaric voltou à aldeia com a filha do pastor, o povo chorou de alegria. Cantaram sobre sua coragem, mas Alaric lhes contou a verdade: não foi a espada nem a força que salvaram a menina, mas a compaixão, a memória e a canção.

Desde aquele dia, a Floresta Sombria foi menos temida. O troll nunca mais foi visto, embora alguns jurassem ouvir um profundo murmúrio sob a ponte em noites de luar. Quanto à Senhora dos Sussurros, nenhuma criança voltou a ser levada. Alguns juravam sentir uma brisa suave carregando uma leve canção de ninar, como se ela tivesse permanecido apenas para ouvir e ser lembrada.

E assim o príncipe Alaric cresceu não apenas em anos, mas em sabedoria, conhecido em todo o reino como o príncipe que cantava na escuridão, cuja coragem não era medida por batalhas, mas pela força de seu coração.

Perguntas Frequentes

Para qual idade esta história é adequada?

Esta história é adequada para 3–7 anos.

Posso ouvir esta história em áudio?

Esta história pode ser lida online gratuitamente.

Qual é a duração desta história para crianças?

Esta é uma curta história para crianças que geralmente pode ser lida em 10 minutos

Estas histórias para dormir são gratuitas para ler?

Sim, você pode ler estas histórias para dormir online gratuitamente.

Esta história é adequada para crianças?

Sim, esta história foi escrita para crianças e é perfeita para leitura antes de dormir.

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