O Fazendeiro, o Cavalo, o Burro, o Dragão

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Era uma vez, em um amplo vale cercado por montanhas que brilhavam como prata ao nascer do sol, vivia um humilde fazendeiro chamado Rowan. Ele não era rico nem conhecido por sua grande força, mas tinha um coração fiel e mãos que amavam a terra. Ao seu lado estavam dois animais leais: um cavalo castanho orgulhoso chamado Ember e um burro teimoso, porém bondoso, chamado Bristle.

A fazenda de Rowan ficava na beira de Greenvale, onde a grama crescia alta e os rios cantavam entre campos de trigo. Embora sua vida fosse simples, não estava livre de dificuldades. Os aldeões muitas vezes zombavam de Bristle, dizendo que ele era lento e desajeitado, enquanto Ember era admirada por sua força e rapidez. No entanto, Rowan amava os dois igualmente, pois via na graça de Ember a sabedoria, e na teimosia de Bristle uma perseverança silenciosa.

Por muitos anos, Greenvale prosperou. Mas em um certo verão fatídico, uma sombra desceu das montanhas. Um dragão, poderoso e terrível, negro como a noite com olhos dourados como metal líquido, começou a rondar os céus. Chamava-se Duskbane e exigia tributo: gado, grãos e até mesmo joias preciosas da aldeia. Aqueles que recusavam viam seus campos queimados e suas casas virarem cinzas.

Os aldeões se desesperaram, murmurando sobre a fome do dragão que jamais poderia ser saciada. Alguns queriam abandonar a terra, outros clamavam por luta. Mas nenhum cavaleiro ousava enfrentar Duskbane, pois ele era mais velho que a memória e mais forte que o aço. Rowan, que tinha pouco, oferecia o que podia: sacos de cevada, cestos de maçãs e leite de suas vacas. O dragão aceitava, mas voltava cada vez mais faminto.

Numa noite, Rowan estava no celeiro acariciando a crina de Ember, enquanto Bristle mastigava feno. “Não posso continuar alimentando-o para sempre,” sussurrou Rowan. “Logo nada restará. Mas o que um fazendeiro pode fazer contra um dragão?”

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Rowan piscou, incrédulo. “Vocês podem falar? Por quê agora?”

“Porque agora você precisa de nós,” respondeu Ember solenemente. “A magia de Greenvale desperta quando a própria terra está ameaçada. Nós, os animais, somos ligados a ela, assim como você. Podemos guiá-lo onde o arado não alcança.”

Bristle bateu o casco. “E quando sua coragem falhar, minha teimosia o empurrará para frente.”

O coração de Rowan acelerou. “Então devemos agir. Mas quais são nossas chances?”

“O dragão tem uma fraqueza,” disse Ember. “Nas montanhas existe o Poço dos Ecos, uma fonte ancestral onde a verdade é revelada. Se chegarmos até lá, poderemos aprender como derrotar Duskbane.”

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A viagem foi longa. Cruzaram prados onde flores silvestres roçavam seus joelhos e atravessaram rios frios como neve derretida. Ember carregava Rowan pelas águas turbulentas, e Bristle carregava os mantimentos sem reclamar, embora resmungasse frequentemente. “Por que dragões sempre querem tesouros? Algumas barricas de nabos bastariam para qualquer criatura sensata.”

Rowan riu, apesar do medo. “Talvez dragões não gostem de nabos.”

Ember respondeu: “Eles não desejam comida, mas poder. Quanto mais medo temos, mais fortes eles se tornam.”

Depois de muitos dias, chegaram ao sopé das montanhas. O ar era rarefeito e os caminhos, estreitos e íngremes. Ali enfrentaram sua primeira prova. Um profundo desfiladeiro dividia a terra, e a única passagem era uma frágil ponte de corda.

Rowan hesitou. “Parece fraca demais. Se quebrar, morreremos.”

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“Não arriscarei minha vida nessa armadilha!” resfolegou.

Rowan falou com calma. “Bristle, precisamos de você. Não consigo carregar tudo sozinho.”

O burro tremia, mas ao ver os olhos cansados de Rowan, suspirou e entrou na ponte. No meio do caminho, uma das tábuas quebrou. Bristle congelou, as orelhas abaixadas. “Eu sabia! Estamos perdidos!”

“Fique calmo!” gritou Ember. Rowan estendeu a mão. “Confie em nós, Bristle. Um passo de cada vez.”

Com um gemido, Bristle avançou e finalmente chegou ao outro lado. Rowan o abraçou. “Você foi mais corajoso do que pensava.” Bristle resmungou: “Ponte estúpida. Dragão estúpido. Destino estúpido.” Mas em seus olhos havia orgulho.

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“Para salvar nossa terra do dragão,” respondeu Rowan.

A coruja abriu as asas. “Então respondam: o que é mais pesado, o fardo do medo ou o peso da esperança?”

Rowan refletiu. Ember disse: “O medo rapidamente destrói o espírito, enquanto a esperança persiste, mesmo sendo pesada.”

Bristle bufou. “Ambos são pesados. Mas pelo menos com esperança você consegue seguir em frente.”

Rowan assentiu. “A esperança é mais pesada, mas vale a pena carregá-la.”

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Caminharam até chegarem ao Poço dos Ecos. Ele brilhava em uma fenda da rocha, suas águas reluzindo como prata. Rowan ajoelhou-se e olhou em suas profundezas. Imagens surgiram: Duskbane voando, suas escamas duras como ferro, seu fogo consumindo a terra. Mas sob uma das asas, Rowan viu uma cicatriz, um lugar onde as escamas estavam quebradas.

Uma voz ecoou: “O coração do dragão é protegido, mas seu orgulho o cega. Somente quando olhar para o próprio reflexo sua fraqueza será revelada.”

Rowan se levantou. “Devemos trazê-lo até aqui, ao Poço. Somente suas águas lhe mostrarão a verdade.”

“Mas como o atrairemos?” perguntou Ember.

Bristle resfolegou: “Provavelmente basta irritá-lo bastante.”

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Assim, desceram de volta a Greenvale, com o conhecimento do Poço aquecendo seus corações. Quando Duskbane retornou à aldeia, suas asas bloquearam o sol, e Rowan ficou firme na praça, com Ember e Bristle ao seu lado.

“Basta!” gritou Rowan. “Não o alimentaremos mais!”

Os aldeões tremeram. O dragão riu, como trovão. “Então eu os devorarei.”

“Venha, então!” gritou Rowan. “Se tiver coragem!”

Enfurecido, Duskbane os perseguiu, e eles correram para as montanhas. Os aldeões olharam, divididos entre esperança e desespero.

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Finalmente chegaram ao Poço dos Ecos. O dragão desceu, o fogo escorrendo de sua boca. “Não escaparão de mim,” rugiu.

Rowan ficou firme. “Olhe, Duskbane! Olhe no Poço, se tiver coragem!”

O dragão sorriu com desdém, mas não resistiu ao orgulho. Curvou-se sobre a água, esperando ver seu reflexo majestoso. Em vez disso, viu a cicatriz, a escama quebrada e a escuridão em seu coração. O Poço ampliou a visão, mostrando-lhe não sua força, mas seu medo—o medo de ser fraco, de perder o poder.

“Não!” rugiu Duskbane. “Sou invencível!” Ele atacou, mas a magia do Poço o aprisionou, puxando sua imagem para dentro até que fosse consumida. Com um último rugido, o dragão caiu, e seu corpo virou pedra. As montanhas estremeceram, e então tudo ficou em silêncio.

Rowan, Ember e Bristle permaneceram em silêncio, ofegantes. O Poço brilhou novamente, selando a essência do dragão. A sombra sobre Greenvale desapareceu.

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Os aldeões que antes zombavam de Bristle agora o acariciavam e lhe davam maçãs. O burro tentou fingir indiferença, mas suas orelhas tremiam de alegria. Ember permanecia altiva, sua crina brilhando, modesta em sua dignidade.

Daquele dia em diante, Greenvale prosperou novamente. Os campos douraram, os rios brilharam, e o povo viveu sem medo. A fazenda de Rowan floresceu, e ele compartilhava sua colheita generosamente. Ember e Bristle permaneceram seus companheiros mais próximos, suas vozes sendo segredo para a maioria, mas sempre um consolo para ele.

E Duskbane? Seu corpo de pedra permaneceu junto ao Poço dos Ecos, lembrando a todos que até os mais fortes podem cair diante do próprio orgulho. Viajantes sussurravam sobre o fazendeiro, o cavalo, o burro e o dragão, e sua história ecoava além das montanhas.

E Rowan, ainda humilde fazendeiro de coração, sabia que coragem, sabedoria e amizade o tornaram maior do que jamais sonhou.

E ainda assim, a história não terminou ali. Pois as lendas têm o hábito de crescer, e às vezes até a pedra pode voltar a se mover. Mas isso já é outra história.

Perguntas Frequentes

Para qual idade esta história é adequada?

Esta história é adequada para 3–13 anos.

Posso ouvir esta história em áudio?

Esta história pode ser lida online gratuitamente.

Qual é a duração desta história para crianças?

Esta é uma curta história para crianças que geralmente pode ser lida em 10 minutos

Estas histórias para dormir são gratuitas para ler?

Sim, você pode ler estas histórias para dormir online gratuitamente.

Esta história é adequada para crianças?

Sim, esta história foi escrita para crianças e é perfeita para leitura antes de dormir.

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