Numa floresta tranquila, viviam o Urso e o Lobo, não muito longe um do outro. O Urso amava o mel mais do que qualquer coisa, enquanto o Lobo preferia correr velozmente e caçar nas primeiras horas da manhã. Apesar da proximidade, nunca tinham conversado, pois o Lobo achava o Urso lento demais, e o Urso pensava que o Lobo era feroz demais.

Perto dali, o Lobo perseguia um coelho. Parou bruscamente ao ouvir o Urso pedir ajuda. Curioso, aproximou-se e viu o Urso preso. No início, o Lobo teve vontade de rir. “Seu grande e desajeitado Urso!” – disse. Mas logo percebeu o olhar aflito do Urso e se lembrou do medo que sentira quando, ainda filhote, se perdera pela primeira vez.

O Lobo sorriu timidamente. “De nada. Acho que estava errado em pensar que você é lento. Você é bem corajoso.” O rosto do Urso se iluminou. “E eu estava errado em achar que você é assustador. Você é muito bondoso.”

Ao entardecer, chegaram a uma grande colina. “Vamos correr até o topo!” – gritou o Lobo, disparando à frente. O Urso correu o mais rápido que pôde, rindo pelo caminho. Quando chegaram ao alto, contemplaram a floresta iluminada pelo pôr do sol. Era mais bela do que qualquer um dos dois imaginara.

A partir daquele dia, o Urso e o Lobo tornaram-se inseparáveis. Juntos exploraram novas partes da floresta, ajudaram outros animais em apuros e até partilharam refeições. Os vizinhos ficaram admirados com a gentileza e a cooperação que haviam nascido entre o Urso e o Lobo. Mas, acima de tudo, eles aprenderam uma lição importante: julgar pelos primeiros olhos pode nos fazer perder uma verdadeira amizade.
