Na pacífica aldeia de Maple Hollow, vivia na fazenda do agricultor Finn um cavalo elegante e brilhante chamado Hugo. Hugo era rápido, forte e orgulhoso. Adorava galopar pelos campos e ouvir os aldeões aplaudi-lo durante as corridas anuais da feira de Maple Hollow.
Na mesma fazenda morava um cãozinho alegre chamado Dobby. Dobby não era grande nem forte, mas era esperto, amigável e sempre pronto a ajudar. Espantava os corvos do milharal, protegia as galinhas e até trazia ferramentas para o agricultor Finn.
Mas Hugo mal reparava nele.
“Correr atrás de galinhas?” resfolegou Hugo certa manhã. “Isso mal pode ser chamado de trabalho.”
Dobby inclinou a cabeça. “Todo trabalho é importante, Hugo. Cada um de nós ajuda à sua maneira.”

Dobby apenas abanou o rabo e voltou a guardar o galinheiro.
Uma semana antes da feira de Maple Hollow, uma terrível tempestade assolou a aldeia. Árvores caíram, cercas quebraram e partes do telhado do celeiro foram arrancadas. Os animais encolheram-se lá dentro, assustados e trémulos. Quando a tempestade passou, a fazenda estava um caos.
O agricultor Finn trabalhou dia e noite para consertar tudo, mas era demasiado para uma só pessoa. Os animais quiseram ajudar e todos colaboraram. As galinhas bicavam a palha solta para abrir caminhos, as ovelhas carregavam pequenas ferramentas em cestos nas costas, e Dobby corria de um lado para o outro levando pregos e ajudando a reparar a cerca.
E Hugo? Ficou apenas parado no campo.
“Eu não conserto cercas,” disse ele. “Esse não é o meu trabalho. Eu sou um cavalo de corrida.”

Mas Hugo virou-lhe as costas.
No dia da feira, os aldeões reuniram-se para a grande corrida. Hugo marchou orgulhosamente até à linha de partida. A corrida começou e ele disparou como um raio.
Mas a meio do percurso aconteceu algo inesperado. Um ramo caído jazia no caminho, escondido sob as folhas. Hugo não o viu a tempo. O seu casco prendeu-se e ele caiu com força.
A multidão arfou de espanto. Hugo tentou levantar-se, mas a perna doía-lhe. Estava preso.
Então ouviu-se um latido familiar.

Com ajuda, Hugo foi colocado numa carroça e levado de volta à fazenda. A corrida estava perdida, mas Hugo tinha ganho algo muito maior.
Nessa noite, enquanto descansava no celeiro, Hugo olhou para Dobby.
“Não precisavas de me ajudar,” disse suavemente.
Dobby sorriu. “Claro que precisava. É isso que os amigos fazem.”
Hugo suspirou. “Estava enganado. Fazes tanto por todos. Não és apenas prestável — és importante.”
