A Raposa, o Pato e o Cão

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Num vale tranquilo, onde campos dourados se encontravam com bosques sussurrantes, viviam três criaturas muito diferentes, que raramente se cruzavam. Uma raposa chamada Fenn era astuta e veloz, seu pelo âmbar brilhava como fogo entre as árvores. Um pato chamado Delia vivia junto ao lago, suas penas brancas como a neve e sua voz alegre como um sino matinal. E perto do prado havia uma quinta, onde um cão leal chamado Bristle guardava vigilante—forte e gentil, com olhos cheios de luz constante.

Fenn, Delia e Bristle não eram amigos no início. Fenn muitas vezes sonhava em roubar ovos do lago, Delia temia os dentes afiados escondidos nas sombras, e Bristle, jurado protetor da quinta, via nas raposas apenas problemas. Mas o destino, como tantas vezes acontece, tinha outros planos.

Numa tarde, quando o céu ardia em tons de laranja e o vento trazia o cheiro de maçãs maduras, Delia afastou-se demasiado do lago. Encontrou-se na erva alta junto à orla da floresta, onde as sombras se estendiam longas e finas. Um súbito farfalhar assustou-a. Do mato saltou uma raposa—não Fenn, mas um andarilho de olhos cruéis e costelas salientes de fome. Atacou, dentes a estalar.

Delia bateu as asas e grasnou em pânico, mas antes que o perigo a alcançasse, Fenn surgiu. Atirou-se entre ambos, rosnando baixo. “Este lago não é teu para caçar!” rosnou. O intruso bufou, mas vendo a postura de Fenn, recuou para a escuridão. Delia, a tremer, fitou o seu improvável salvador.

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Fenn agitou a cauda. “Porque nem todas as raposas são ladrãs. Além disso, a floresta é minha para guardar. O que acontece aqui importa para mim.”

Antes que Delia respondesse, Bristle surgiu pela erva, dentes à mostra, pois ouvira os seus gritos. Parou de repente ao ver a raposa junto dela. “Afasta-te do pato!” latiu.

Delia bateu as asas. “Espera, Bristle! Ele salvou-me de outra raposa. Não quer fazer mal.”

As orelhas de Bristle baixaram, a desconfiança ainda presente. “Uma raposa a salvar um pato? Histórias estranhas.”

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A partir desse dia, os três começaram a ver-se de forma diferente. Fenn vigiava por vezes o lago de Delia das sombras, afastando intrusos. Bristle, embora cauteloso, começou a acompanhar Delia quando ela visitava o prado. E pouco a pouco, a raposa, o pato e o cão falavam entre si—não com ameaças nem medo, mas com curiosidade.

Numa manhã, quando a geada brilhava na relva, encontraram a sua primeira verdadeira prova. O riacho que alimentava o lago de Delia tinha secado, deixando apenas terra gretada. Sem ele, o lago encolheria, e Delia e os seus sofreriam.

“Temos de descobrir porque a água desapareceu,” disse firmemente Delia.

“Talvez a floresta tenha a resposta,” respondeu Fenn, com o nariz a tremer.

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Partiram—pata, asa e pata—seguindo o leito seco até ao interior da floresta. As árvores tornaram-se mais densas, inclinando-se como se sussurrassem segredos. Finalmente chegaram a um local onde pedras tinham caído do penhasco, bloqueando o fluxo da água. A pilha era demasiado alta para Delia, demasiado pesada para Fenn e demasiado emaranhada para Bristle.

“Não conseguimos mover isto,” admitiu Fenn. “Não como somos agora.”

“Então cada um deve fazer o que pode,” disse Delia. “Se juntarmos os nossos dons, talvez consigamos.”

Assim fizeram. Delia esvoaçava sobre as pedras, bicando e puxando as menores até abrirem brechas. Fenn esgueirava-se pelas fendas, empurrando pedrinhas com as patas ágeis. Bristle cavava na base, arrastando as pedras maiores com a sua força. Pouco a pouco, o muro começou a ruir.

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Desde esse momento, já não eram estranhos unidos pelo acaso, mas amigos unidos pela escolha.

As estações passaram e muitas vezes enfrentaram desafios juntos. Afugentaram corujas que voavam demasiado perto do lago. Resistiram a tempestades que devastaram o prado, abrigando-se mutuamente até o céu clarear. Até lograram o gato guloso da quinta, que rondava em silêncio com olhos famintos. Cada prova ensinava-lhes algo novo: que a astúcia podia servir para proteger, que a lealdade podia estender-se para além da quinta e que a confiança podia florescer onde antes havia apenas medo.

Mas a sua maior prova chegou numa noite de primavera, quando o vale foi atingido por fogo. Um raio rasgou o céu, atingindo um carvalho seco à beira da floresta. As chamas espalharam-se rapidamente, saltando de árvore em árvore, ameaçando prado, quinta e lago. Os animais fugiam em pânico, e até os humanos corriam para salvar as casas.

Delia grasnou em aflição, pois a fumaça já avançava para o lago. “Se o fogo chegar à água, todos seremos cozidos vivos!”

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“Mas como?” perguntou Fenn, olhos arregalados diante do clarão no horizonte.

Bristle olhou para os humanos, que enchiam baldes no poço, passando-os de mão em mão para apagar as chamas. “Faremos o mesmo—mas à nossa maneira.”

E trabalharam. Delia voava até ao lago, recolhia água no bico e largava-a sobre a erva em chamas. Fenn corria rápido como um relâmpago, afastando galhos em brasa antes que o fogo se espalhasse. Bristle cavava trincheiras com as suas fortes patas, criando barreiras para travar as chamas. Outros animais, vendo a sua coragem, juntaram-se—coelhos, pássaros e até o desconfiado gato da quinta. Juntos, animais e humanos, combateram o incêndio até que a chuva chegou, suave e constante, apagando as últimas brasas.

Quando a tempestade passou e o vale permaneceu húmido mas seguro, os três amigos sentaram-se juntos, cansados mas vivos. Delia encostou-se a Bristle, penas chamuscadas mas coração firme. Fenn enrolou a cauda à volta de ambos, seus olhos astutos suavizados pelo orgulho.

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“Não,” disse Bristle, “salvámos uns aos outros.”

Fenn assentiu. “E talvez essa seja a verdadeira força—raposa, pato e cão, não inimigos, mas amigos.”

Desde esse dia, ninguém no vale duvidou do laço entre eles. As crianças murmuravam histórias dos três companheiros que juntos enfrentaram fogo, fome e medo. E sempre que o sol se punha sobre os campos dourados, podia-se ver uma raposa, um pato e um cão caminhando lado a lado—prova viva de que até as amizades mais improváveis podiam mudar o destino de um mundo.

Perguntas Frequentes

Para qual idade esta história é adequada?

Esta história é adequada para 5–13 anos.

Posso ouvir esta história em áudio?

Esta história pode ser lida online gratuitamente.

Qual é a duração desta história para crianças?

Esta é uma curta história para crianças que geralmente pode ser lida em 10 minutos

Estas histórias para dormir são gratuitas para ler?

Sim, você pode ler estas histórias para dormir online gratuitamente.

Esta história é adequada para crianças?

Sim, esta história foi escrita para crianças e é perfeita para leitura antes de dormir.

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