Num dia ensolarado de fim de outono, quando as folhas douradas já rolavam pelo chão e o vento frio anunciava a chegada do inverno, uma família de formigas trabalhadoras estava ocupada em frente à sua casa, debaixo de um carvalho. Elas estavam secando grãos e sementes que haviam coletado cuidadosamente durante todo o verão. Cada formiga sabia sua tarefa: uma virava os grãos, outra os separava, e uma terceira certificava-se de que nenhum se perdesse na grama.
Enquanto trabalhavam, um som fraco e cansado de violino veio de longe. O tom era fino e triste, como se o próprio vento tocasse uma melodia de dias perdidos. Logo apareceu um Gafanhoto — magro, fraco, com um violino gasto debaixo do braço. Suas pernas verdes tremiam de frio, e seus olhos estavam cheios de súplica.
“Meus queridos amigos,” começou o Gafanhoto suavemente, “por favor, me deem um pouco de comida. Não como há dias. O inverno chegou mais rápido do que eu esperava…”

As Formigas olharam para ele surpresas. A mais velha, conhecida por sua sabedoria, ergueu uma sobrancelha e disse:
“Você não juntou comida durante o verão? O que fazia enquanto trabalhávamos do amanhecer ao anoitecer, carregando cada grão para nosso depósito?”
O Gafanhoto abaixou a cabeça, envergonhado.
“Ah, eu não tive tempo,” admitiu timidamente. “O sol era quente, a grama sussurrava, e as canções fluíam do meu coração! Toquei e cantei, e todos gostaram. Eu não conseguia pensar no frio quando a vida era tão bela.”
“Canções?” repetiu uma das formigas mais jovens, incrédula. “Você cantava enquanto trabalhávamos?”
“Sim,” disse o Gafanhoto. “O mundo era tão lindo! Eu não percebi o quão rápido tudo mudaria.”
A formiga mais velha suspirou.
“É bom cantar,” disse ela, “mas tudo tem o seu tempo. Quando é verão, deve-se trabalhar. Quando chega o inverno, você descansa do trabalho. Você passou o verão cantando, e agora quer os frutos do nosso esforço.”
O Gafanhoto tentou mais uma vez.
“Eu sei que errei... Se me ajudarem só desta vez, prometo que no próximo verão trabalharei com vocês. Tocarei música à noite para tornar o trabalho mais leve.”
Mas as formigas já estavam recolhendo seus suprimentos para levá-los para dentro.
“Sinto muito,” disse a mais velha. “Você aprenderá esta lição apenas enfrentando suas consequências. O inverno não espera por ninguém, Gafanhoto. Se você tocou o verão todo, agora deve dançar.”
As formigas se afastaram e continuaram o trabalho, enquanto o Gafanhoto ficou sozinho, observando o sol desaparecer atrás das colinas. Seu violino tremia suavemente ao vento, mas desta vez a melodia já não era alegre — era uma canção de arrependimento.
Quando a primeira neve caiu, o Gafanhoto encontrou abrigo sob folhas secas e percebeu que até a música tem seu tempo — mas sem esforço e preparação, nem a canção mais bela pode aquecer as noites frias.